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JOGO PERIGOSO: O jogo da baleia azul e o suicídio infantil

Nos últimos dias fomos surpreendidos com notícias vindas do mundo todo, sobre o jogo da baleia azul. Rapidamente o assunto popularizou-se, preocupando as famílias, causando tensões e inseguranças para as crianças, e tudo isso evidenciou

Nos últimos dias fomos surpreendidos com notícias vindas do mundo todo, sobre o jogo da baleia azul. Rapidamente o assunto popularizou-se, preocupando as famílias, causando tensões e inseguranças para as crianças, e tudo isso evidenciou um assunto que não é novo, mas que pouco se fala: o SUICÍDIO INFANTIL.

A mídia e o povo têm debatido sobre os aspectos macabros, assustadores e sensacionalistas do jogo da Baleia Azul, porém pouco se aprofunda no que realmente importa. As notícias evidenciam o jogo, mas não falam dos motivos que possibilitam sua existência; o que dá abertura e força para que ele cresça e seja acolhido por crianças e adolescentes. Qual oceano possibilita a existência dessa baleia azul? Ela costuma nadar no sofrimento humano pouco acreditado, pouco visibilizado, o sofrimento dos pequeninos. Então chegamos mais fundo, no problema de não vermos a criança e o adolescente como um ser em sua existência, total no hoje, que está em desenvolvimento, mas que apesar da menor idade, tem seus sentimentos e comportamentos e seu lugar no mundo.

A grande questão não é o jogo (exploda-se essa blue whale! Blast, Blast!!!), mas o que importa é olhar para o sofrimento infanto-juvenil.

Interessante que já recebi na clínica mães e pais preocupadíssimos com o jogo, querendo saber como se proteger, como proteger seus filhos, enfim, queriam entender a baleia azul, conhecê-la para identificá-la, e entende-se o quase desespero da família, é a resposta ao sensacionalismo midiático, mas, minha orientação, sempre é a mesma: Não preocupe-se em conhecer o jogo, mas, interesse-se em conhecer seu filho, talvez ele esteja sofrendo.

Claro que o básico sobre o jogo já é está bem conhecido. Concorda? Organizado em desafios macabros aos adolescentes, como tirar selfies assistindo a filmes de terror, automutilar-se, ficar doente e, na etapa final, cometer suicídio. Preocupante sim, e não é mito, o jogo existe desde 2015, começou na Rússia, espalhou-se pelo mundo, e ainda que fosse como uma daquelas “lendas urbanas”, infelizmente a sociedade apropriou-se e tornou-a real.

As crianças e adolescentes que e são engolidos por essa baleia estão fragilizados emocionalmente e provavelmente já demonstram há algum tempo sinais de depressão, angústia, isolamento social, tristeza prolongada, entre outros. O assunto faz emergir várias fragilidades na família, na sociedade, no estado, enfim, e não fazer julgamentos ou simplificar o assunto, só aumenta o sofrimento, e dificulta as coisas. (P.s. não compartilhem um chinelo da havaianas, insinuando que a depressão infantil é falta de surra.)

Mães e Pais vejam algumas mudanças comportamentais que devem ser observadas nas filhas e filhos:

. Alterações significativas na personalidade ou nos hábitos;
. Comportamento ansioso, deprimido ou agitado;
. Queda no rendimento escolar;
. Perda ou ganho repentinos de peso;
. Mudança no padrão de sono;
. Tristeza, irritação e acessos de raiva combinados
. Comentários autodepreciativos ou desesperançosos em relação ao futuro;
. Demonstração clara ou velada do desejo de pôr fim à vida.

P.s.: Isso não significa necessariamente que estão jogando a baleia azul, mas que não estão bem, que precisam de cuidados específicos! Blz!!!

Alguns fatores como perdas recentes de figuras significativas, baixo limite de resistência à frustração, morte de pessoas próximas (parentes e amigos), dificuldades familiares, privação emocional, falta de afeto, separações com muitas brigas entre os pais e depressão também podem ser situações estressoras que podem adoecer a criança e o adolescente, e gerar um comportamento suicida. (SEMINOTTI, 2011).

Lendo sobre o assunto, percebi que a maioria dos poucos autores que escrevem sobre o assunto, acredita que em concomitância com o aumento de idade há o crescimento do risco de suicídio já que a morte vai sendo compreendida pela criança conforme o desenvolvimento cognitivo da mesma. Quanto mais o tempo passa, aumenta a compreensão do que é a morte, seu significado e sentido. A autora Elisa Seminotti (2011) acredita que a criança tem pouco contato com a morte real e mais com a morte fictícia e dita que inicialmente a criança percebe a morte como um estado de sono, do qual pode acordar, como num conto de fadas, sendo possível evitar a morte adaptando-se e sendo cuidadosa e que mesmo estando morto pode-se ter sentimentos e pensamentos se engajando em atividades que as crianças mais velhas só atribuem a pessoas vivas.

Finalizando este texto, mas não finalizando o assunto que é complexo e delicado demais, oriento pais e mães a observarem seus filhos e filhas, nada melhor que uma boa conversa, seja no pé da cama, na rede da varanda, no shopping ou na praia, seja no sítio, ou até mesmo no boxe de uma feira, enquanto trabalham… Quebre o gelo! Talvez seu filho precisa desabafar, sorrir ou chorar. Dependendo da situação pode-se necessitar de uma intervenção profissional, psiquiátrica, neurológica, psicológica ou psicanalítica, esses são os profissionais capacitados para atuar com tais questões.

Abraço!

Diogo Rogério
Psicólogo

Fonte: http://blogdomelqui.com.br

Referência Bibliográfica: SEMINOTTI, Elisa Pinto. Suicídio infantil: reflexões sobre o cuidado médico. Disponível em < www.psicologia.pt/artigos/textos/A0297.pdf

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